Vitamina D

vitamina D3- A cura vem do sol
Por Daiane Machado

O sol é um grande aliado da saúde. Atualmente, a cura pelo sol se converteu em um método de tratamento médico cuja efetividade encontra-se plenamente reconhecida pela comunidade científica mundial.  Mas o poder do sol já era conhecido há bastante tempo, tanto que egípcios e romanos já utilizavam o método. No século 20 inúmeras pessoas foram curadas de tuberculose pela luz solar. Além de curar pacientes com problemas de raquitismo e lesões na pele. Hoje sabemos que o poder terapêutico do sol se deve à vitamina D3.

A vitamina D é um hormônio esteróide lipossolúvel essencial para o corpo humano e sua ausência pode proporcionar uma série de complicações. A vitamina D foi denominada desta forma em 1922, pois naquela época acreditava-se que ela só poderia ser obtida por intermédio da alimentação. Ela foi batizada de D por ter sido a quarta substância descoberta, depois das vitaminas A, B e C. A partir da década de 1970 os pesquisadores descobriram que a vitamina D poderia ser sintetizada pelo organismo, através do sol, ou seja, na realidade ela é um hormônio, não uma vitamina. Pensava-se que a vitamina D somente seria boa para manutenção de dentes e ossos saudáveis, porém recentes avanços na ciência, no entanto, tem colocado essa vitamina no centro das atenções ao revelar seu papel multifacetado para o bom funcionamento do corpo humano como um todo e de sua capacidade de reduzir o risco de doenças não anteriormente associadas à ela.

Desde o século 17 sua atuação em processos metabólicos é pesquisada e foi objeto de prêmio Nobel em 1938. Atualmente, são conhecidos aproximadamente 41 metabólitos da vitamina D e um hormônio principal, a 1,25(OH)2 D3. Hoje sabe-se que a vitamina D controla 270 genes, inclusive células do sistema cardiovascular. Estudos recentes sugerem o envolvimento dessa vitamina em diversos processos celulares vitais, como: diferenciação e proliferação celular, secreção hormonal (por exemplo: insulina), assim como no sistema imune e em diversas doenças crônicas.  A falta de vitamina D está relacionada a hipertensão, diabetes e obesidade, além de pré dispor a 17 tipos de câncer, como os de mama, próstata e melanoma. Isto ocorre porque a substância participa do processo de diferenciação celular, que mantém as células cardíacas como células cardíacas, as da pele como da pele e assim por diante. Desta maneira ela evita que as células se tornem cancerosas. Além disso, a vitamina D ainda promove a apoptose das células cancerosas. 

A maioria das pessoas acredita que apenas pela ingestão na dieta normal já se consiga níveis adequados de vitamina D3 para  que ocorra seus benefícios, porém para que tenhamos níveis significativos no organismo seria praticamente impossível termos apenas através dos alimentos. A principal fonte de produção da vitamina se dá por meio da exposição solar, pois os raios ultravioletas do tipo B (UVB) são capazes de ativar a síntese desta substância, sendo o sol o responsável por 80 a 90% da vitamina que o corpo recebe. O ideal é ficar no sol com 80% do corpo descoberto de 10 a 15 min no horário das 11 às 14 horas e sem protetor solar. Ela também pode ser produzida em laboratório e ser administrada na forma de suplemento, quando há a deficiência e para a prevenção e tratamento de uma série de doenças. Na maioria dos indivíduos, a síntese cutânea é a principal fonte de vitamina D, após a síntese cutânea, a vitamina D entra na circulação e é transportada para o fígado, unida à proteína ligante da vitamina D (DBP). No fígado, ocorre a primeira hidroxilação para a 25(OH)D, que será secretada no plasma. Esta molécula é medida em exames laboratoriais. 

Atualmente, a deficiência de vitamina D tem sido considerada um problema de saúde pública no mundo todo, em razão de suas implicações no desenvolvimento de diversas doenças . Em 2008, a publicação referente ao 22nd Marabou Symposium: the changing faces of vitamin D relatou insuficiência de vitamina D em 1 bilhão de indivíduos ao redor do mundo. Pra cada pessoa que morre por exposição ao sol, 55 morrem por falta de exposição.

Dentre os grandes responsáveis por este índice podemos citar os hábitos urbanos atuais em que vivem grande parte da população: vivem em apartamentos escuros ou pouco iluminados e trabalham em locais igualmente ausentes da luz solar. Outro grande responsável é a ideia que se disseminou de que o sol faz mal, sol causa câncer. A esta ideia chamamos heliofobia e tem sido a responsável pela crescente epidemia da deficiência de vitamina D pelo mundo.

A Situação atual é tão grave que a Sociedade brasileira de endocrinologia e metabologia encaminhou ao Ministério da Saúde um ofício no qual ela solicita uma reunião para discutir a inclusão da Vitamina D3 na lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o texto, a disponibilização corrigiria a deficiência prevalente deste nutriente nos grandes centros urbanos. Ainda segundo o Ofício, valores inadequados de Vitamina D foram encontrados em 85% dos idosos moradores na cidade de São Paulo, em mais de 90% dos idosos institucionalizados e em cerca de 50% da população de jovens saudáveis.

Figura 1: Após passar pelo fígado e rins a vitamina d se transforma em 1,25(OH)2D3 e passa a ser um HORMÔNIO ESTEROIDAL

ALGUNS BENEFÍCIOS DA VITAMINA D

Fortalece os ossos:  Pessoas com deficiência de vitamina D chegam a aproveitar 30% menos de cálcio proveniente da dieta (que por si só já é insuficiente);

Proteção cardíaca: A falta da vitamina D pode levar ao acúmulo de cálcio na artéria, favorecendo o risco de formação de placas. Com todas essas questões, as chances de desenvolver doenças cardiovasculares como insuficiência cardíaca, derrame e infarto são maiores em pessoas com deficiência de vitamina D;

Gravidez segura: no final da gravidez, a ausência da vitamina D pode causar a pré-eclâmpsia. Afinal, esta substância influência na produção da renina, principal hormônio regulador da pressão arterial. A falta de vitamina D também aumenta as chances da criança ser autista, pois ela é importante para o desenvolvimento do cérebro do bebê. 

Previne e controla o diabetes: a vitamina D participa na produção da insulina. Como a diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, a vitamina D torna-se interessante por ser um imunoregulador que inibe seletivamente o tipo de resposta imunológica que provoca a reação contra o próprio organismo;

Força muscular: A vitamina D contribui para a força muscular, portanto, sua ausência leva a perda dessa força e aumenta o risco de quedas e fraturas. Uma pesquisa feita pela Universidade de Zurique com pessoas acima de 65 anos observou que o consumo de vitamina D pode diminuir o risco de quedas em 19%;

Algumas das doenças autoimunes que podem ser tratadas com altas doses de vitamina D são: esclerose múltipla, artrite reumatoide e problemas oftalmológicos;

Câncer: A falta de vitamina D favorece 17 tipos de câncer, como os de mama, próstata e melanoma. Pesquisadores da Georgetown University Medical Center , em Washington DC descobriram uma ligação entre a ingestão elevada de vitamina D e risco reduzido de câncer de mama. Esses resultados, apresentados na Associação americana para pesquisa do câncer, revelaram que o aumento de doses de vitamina do sol estava associado a uma redução de 75% do surgimento geral de câncer e 50% de total de câncer em casos de tumores entre aqueles que já possuíram a doença. Interessante foi a capacidade da suplementação de vitamina a ajudar a controlar o desenvolvimento e crescimento do câncer de mama, especialmente o câncer estrogênio-sensível.

Autismo: Como a vitamina D é importante para o desenvolvimento do cérebro, ela ajuda a prevenir o autismo durante a gestação. Um estudo realizado pelo Childrens Hospital Oakland Research Institute, nos Estados Unidos, observou que três hormônios do cérebro que afetam o comportamento social, serotonina, ocitocina e vasopressina, são ativados pela vitamina D;

Esquizofrenia e depressão: estas doenças têm sido associadas a deficiência de vitamina D.

 

FONTES

Natural News.Com

Bouillon R, Carmeliet G, Verlinden L, van Etten E, Verstuyf A, Luderer HF, et al. Vitamin D and human health: lessons from vitamin D receptor null mice. Endocr Rev. 2008;29(6):726-76.

Peterlick M, Cross HS. Vitamin D and calcium deficits predispose for multiple chronic diseases. Eur J Clin Invest. 2005;35(5):290-304.

INTERSALT Cooperative Research Group. Intersalt: an international study of electrolyte excretion and blood pressure. Results for 24 hour urinary sodium and potassium excretion. Intersalt Cooperative Research Group. BMJ. 1988;297(6644):319-28.

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Importante

As informações contidas aqui tem caráter informativo, e não devem ser usadas para o diagnóstico ou para orientar o tratamento sem a opinião de um profissional de saúde. Procure sempre um médico de sua confiança e que, de preferência entenda de medicina preventiva, medicina ortomolecular, um nutrólogo ou um nutricionista. Apenas o médico está habilitado para diagnosticar eventuais doenças, indicar tratamentos e receitar, se necessário, medicamentos e minerais.