Probiótico

probióticos são componentes alimentares não digeríveis que afetam beneficamente a saúde do ser humano

O termo Probiótico significa, Pro (a favor de), Biotic (vida), é algo que promove a vida, o contrário do Antibiótico, Anti (contra), Biotic (vida). Por isso quando alguém faz uso de antibiótico tem uma queda enorme na imunidade, pois o antibiótico destrói grande parte da microbiota intestinal. Por esta razão deve-se procurar recompor essa microbiota o mais rápido possível.

Probióticos são componentes alimentares não digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro, por estimularem seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon. Adicionalmente, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, garantindo benefícios adicionais à saúde do hospedeiro. Esses componentes atuam mais freqüentemente no intestino grosso, embora eles possam ter também algum impacto sobre os microrganismos do intestino delgado (Gibson, Roberfroid, 1995; Roberfroid, 2001; Gilliland, 2001; Mattila-Sandholm et al., 2002).

Os benefícios dos probióticos vão além do equilibrio da microbiota intestinal, os probióticos são usados também para prevenir e tratar doenças. Dentre os principais tipos de micro-organismos presentes nos probióticos temos as leveduras, bactérias ácido-lácticas e bactérias não ácido lácticas.

Os lactobacilos e as bifidobactérias, são adicionados aos alimentos industrializados, sendo encontrados em iogurtes e leites fermentados. Nem todo iogurte, porém, é probiótico. Isto porque as bactérias que fermentam o iogurte normal, por exemplo, não chegam vivas ao intestino. Por isso, para saber se você está levando para casa iogurte com probiótico, basta conferir o rótulo. Se na embalagem estiver escrito lactobacilos e as bifidobactérias, você estará levando o alimento correto. Além dos iogurtes e leites fermentados, os micro-organismos também podem ser encontrados na forma de pó ou cápsulas.

Existe a ideia, principalmente difundida pela mídia e até mesmo por profissionais de saúde de que é necessário consumir com frequencia iogurtes com probióticos, em parte esta informação está correta, entretanto, temos de observar que grande parte dos iogurtes ou alimentos probióticos são industrializados, e com isso além de não ingerirmos uma quantidade ideal de cepas (famílias de bactérias), pois o iogurte possui no máximo de 3 a 5 cepas, além disso, ainda estamos ingerindo um produto com conservantes, acidulantes e corantes, que comprovadamente trazem danos à saúde, predispondo a muitas patologias.

Por esta razão o ideal é realizar o consumo de alimentos probióticos o mais natural possível. Existem muitos probióticos poderosos e naturais que iremos informar aqui, como exemplo dos Kefirs de água, Kefir de leite, Kombucha.

A microbiota intestinal humana exerce um papel importante tanto na saúde quanto na doença e a suplementação da dieta com probióticos e prebióticos pode assegurar o equilíbrio dessa microbiota. Probióticos são microrganismos vivos, administrados em quantidades adequadas, que conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Prebióticos são carboidratos não-digeríveis, que afetam beneficamente o hospedeiro, por estimularem seletivamente a proliferação e/ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon. Um produto referido como simbiótico é aquele no qual um probiótico e um prebiótico estão combinados. O presente artigo apresenta o estado da arte sobre probióticos e prebióticos, relatando novos conceitos, os benefícios que esses ingredientes alimentícios conferem à saúde humana e os possíveis mecanismos envolvidos, discutindo efeitos a eles atribuídos e salientando para novas descobertas relatadas, baseadas em evidências científicas. Outros aspectos, como a seleção e a aplicação de probióticos e de prebióticos, também são discutidos.

Figura 1 - Reações dos ingredientes alimentares probióticos e prebióticos com a microbiota intestinal, relativo a seus efeitos sobre a saúde. Adaptado de Puupponen-Pimiä et al. (2002). Click na imagem para ampliar.

PRINCIPAIS BACTÉRIAS EMPREGADAS NOS ALIMENTOS FUNCIONAIS PROBIÓTICOS

Bactérias pertencentes aos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium e, em menor escala, Enterococcus faecium, são mais freqüentemente empregadas como suplementos probióticos para alimentos, uma vez que elas têm sido isoladas de todas as porções do trato gastrintestinal do humano saudável. O íleo terminal e o cólon parecem ser, respectivamente, o local de preferência para colonização intestinal dos lactobacilos e bifidobactérias (Charteris et al., 1998; Bielecka et al., 2002). Entretanto, deve ser salientado que o efeito de uma bactéria é específico para cada cepa, não podendo ser extrapolado, inclusive para outras cepas da mesma espécie (Guarner, Malagelada, 2003).

Dentre as bactérias pertencentes ao gênero Bifidobacterium, destacam-se:

B. bifidum
B. breve
B. infantis
B. lactis
B. animalis
B. longum e B. thermophilum

Dentre as bactérias láticas pertencentes ao gênero Lactobacillus, destacam-se:

Lb. acidophilus
Lb. helveticus
Lb. casei - subsp. paracasei e subsp. tolerans
Lb. paracasei
Lb. fermentum
Lb. reuteri
Lb. johnsonii
Lb. plantarum
Lb. rhamnosus e Lb. salivarius

(Collins, Thornton, Sullivan, 1998; Lee et al., 1999; Sanders, Klaenhammer, 2001).

OS EFEITOS ATRIBUÍDOS AOS PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS

Os benefícios à saúde atribuídos à ingestão de culturas probióticas que mais se destacam são:

• Controle da microbiota intestinal
• Estabilização da microbiota intestinal após o uso de antibióticos
• Promoção da resistência gastrintestinal à colonização por patógenos
• Diminuição da população de patógenos através da produção de ácidos acético e lático, de bacteriocinas e de outros compostos antimicrobianos
• Promoção da digestão da lactose em indivíduos intolerantes à lactose
• Estimulação do sistema imunológico, através de uma maior produção de células protetoras
• Alívio da constipação
• Aumento da absorção de minerais e produção de vitaminas.
• Diminuição da pressão arterial
• Controle do colesterol e na redução do risco de câncer (Existem inúmeros trabalhos científicos demonstrando que existe uma especificidade de lactobacilos para determinados tipos de câncer)
• Diminui o risco de reações alérgicas e doenças auto-imunes devido a dificuldade para a passagem de macromoléculas no tecido intestinal

Outros efeitos atribuídos a essas culturas são a diminuição do risco de câncer de cólon e de doença cardiovascular, a diminuição das concentrações plasmáticas de colesterol, efeitos anti-hipertensivos, redução da atividade ulcerativa de Helicobacter pylori, controle da colite induzida por rotavirus e por Clostridium difficile, prevenção de infecções urogenitais, além de efeitos inibitórios sobre a mutagenicidade (Shah, Lankaputhra, 1997; Charteris et al., 1998; Jelen, Lutz, 1998; Klaenhammer, 2001; Kaur, Chopra, Saini, 2002; Tuohy et al., 2003).

Alguns efeitos atribuídos aos prebióticos são a modulação de funções fisiológicas chaves, como a absorção de cálcio e, possivelmente, o metabolismo lipídico, a modulação da composição da microbiota intestinal, a qual exerce um papel primordial na fisiologia gastrintestinal, e a redução do risco de câncer de cólon (Roberfroid, 2002). Diversos estudos experimentais mostraram a aplicação da inulina e da oligofrutose como fatores bifidogênicos, ou seja, que estimulam a predominância de bifidobactérias no cólon. Conseqüentemente, há um estímulo do sistema imunológico do hospedeiro, uma redução nos níveis de bactérias patogênicas no intestino, um alívio da constipação, uma diminuição do risco de osteoporose resultante da absorção diminuída de minerais, particularmente o cálcio. Adicionalmente, haveria uma redução do risco de arteriosclerose, através da diminuição na síntese de triglicérides e ácidos graxos no fígado e diminuição do nível desses compostos no sangue (Kaur, Gupta, 2002).

Figura 2 - Os prebióticos como fatores bifidogênicos e os mecanismos de atuação dos probióticos. Click na imagem para ampliar.

POSSÍVEIS EFEITOS ADVERSOS DOS PREBIÓTICOS E PROBIÓTICOS

Testes padrões de toxicidade, conduzidos com frutanos do tipo inulina em doses bastante superiores às recomendadas, não detectaram evidências de toxicidade, carcinogenicidade ou genotoxicidade. Assim como no caso dos demais tipos de fibra, o consumo de quantidades excessivas de prebióticos pode resultar em diarréia, flatulência, cólicas, inchaço e distensão abdominal, estado este reversível com a interrupção da ingestão. Entretanto, a dose de intolerância é bastante alta, permitindo uma faixa de dose terapêutica bastante ampla.

Quanto aos probióticos, estudos clínicos controlados com lactobacilos e bifidobactérias não revelaram efeitos maléficos causados por esses microrganismos. Efeitos benéficos causados por essas bactérias foram observados durante o tratamento de infecções intestinais, incluindo a estabilização da barreira da mucosa intestinal, prevenção da diarréia e melhora da diarréia infantil e da associada ao uso de antibióticos (Lee et al., 1999).

 

Fonte de Consulta:

Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica, Faculdade de Ciências Farmacêuticas,
Universidade de São Paulo
Probióticos e prebióticos: o estado da arte

Susana Marta Isay Saad