Livro Barriga de Trigo

Duas fatias de pão integral podem elevar a taxa de glicose no sangue mais do que duas colheres de sopa de açúcar. Ao contrário do que se pensa, o glúten é apenas um dos problemas.

Aproximadamente 1% da população tem incapacidade de tolerar o glúten, ainda que em pequenas quantidades, são indivíduos portadores de doença celíaca, onde qualquer ingestão de algum alimento ou produto contendo glúten resultará em sintomas como diarreia, cólicas, fezes amareladas, que irão boiar, indicando que as gorduras não estão sendo digeridas. Entretanto, mesmo aquelas pessoas que não são portadoras  da doença celíaca, poderão ainda assim ter algum tipo de intolerância ao glúten. Enquanto 50% dos afetados sentem as cólicas, diarreias e problemas de nutrição, outra metade terá anemia, enxaqueca, artrite, sintomas neurológicos, infertilidade, baixa estatura (em crianças), depressão, fadiga e vários outros sintomas. O Doutor William desconfia que aconteceu alguma mudança fundamental na própria doença, provavelmente relacionada a uma mudança no próprio trigo, ele deixa be explícito ainda que a incidência da doença está aumentando e tem um paralelo com o aumento de casos de diabetes do tipo 1, de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla e a doença de Crohn, e alergias.

As gliadinas do glúten do trigo liberam uma proteína do intestino chamada zonulina, reguladora da permeabilidade intestinal. A zonulina afrouxa as junções intercelulares. E estão diretamente relacionados a quadros de hipotireoidismo, tireoidite de hashimoto, asma e outras doenças autoimunes. Conforme já visto no tópico (Glúten, o veneno de cada dia)

O problema não é exatamente o glúten, do trigo e dos farináceos existentes, afinal de contas nossos antepassados faziam uso do trigo e não eram acometidos dos problemas que existem hoje. O Doutor cardiologista William Davis em seu livro Barriga de Trigo, defende que o problema principal é o trigo modificado, que é o que comemos atualmente, trigo esse resultante do cruzamento genético para o aumento da produtividade, conhecido como hibridização, em outras palavras o trigo que consumimos de uns anos pra cá é na verdade um produto, esse processo de hibridização aumentou em mais de 400% a concentração do glúten no trigo e não somente no trigo, quando o Doutor William fala trigo, ele está também, se referindo ao centeio, cevada, espelta, entre outros, enfim, tudo que contém glúten. Além disso, de acordo com o que o Doutor William retrata no livro, é que, o grande perigo desse cruzamento genético é que não foram realizados nenhum tipo de testes, nem animais e nem em humanos afim de avaliar as consequência dessa modificação nos seres humanos destas novas linhagens de trigo. Tendo como consequência, que esse novo trigo resultante do processo de hibridização, veio a se tornar a principal fonte de glúten e contendo assim algumas propriedades que tem um impacto negativo na saúde humana, e mais, com essa hibridização surgiram novas proteínas no trigo que não existiam antigamente no trigo.


O problema está na modificação genética do trigo para aumento da produtividade

É muito comum ouvirmos de que o glúten deve ser evitado apenas por pessoas intolerantes ao glúten, entretanto, o Doutor William tem uma opinião diferente quanto a isso, o glúten é apenas um dos elementos que deve ser evitado na farinha de trigo, existem outros elementos que devem ser evitados, conforme veremos a seguir.

O trigo contém um carboidrato complexo chamado de amilopectina-A, que é facilmente digerido transformando-se em glicose, e desta forma, sendo absorvida muito rapidamente no sangue. Produtos com trigo tem a capacidade de aumentar os níveis de glicose mais do que qualquer outro tipo de carboidrato existente no planeta, seja doces, feijões, arroz, etc. A glicose promove o aumento de insulina no sangue, e este aumento da insulina é responsável pelo acúmulo de gordura visceral, a famosa pança. A amilopectina-A do trigo faz com que ocorra um pico de glicose, seguido de uma queda rápida da glicose no sangue. Por esta razão, após ingerirmos algum alimento de trigo, ou algum outro rico em carboidrato complexo, momentaneamente ficamos satisfeitos, porém poucas horas depois temos necessidade de comer algo novamente. Faça o teste você mesmo, em um dia, em seu café da manhã coma aquele famoso café com pão, cerais matinais e no dia seguinte, tome seu café batata doce, ou um aipim, ovos, vai perceber que a saciedade será muito maior, e consequentemente a compulsão de comer, será muito menor.

Agora já sabemos que o consumo diário de alimentos que promovem aumento da insulina provoca o acúmulo de gordura visceral. Essas gorduras vão acumulando em diferentes partes do corpo e variam claro de pessoas para pessoas, umas tenderão a acumular estas gorduras nas coxas, outras na barriga, bumbum, e até mesmo ginecomastia (aumento das mamas) em homens. O aumento dessas gorduras está diretamente relacionados a respostas inflamatórias, aquela inflamação crônica no sangue, associado a probabilidade do aparecimento de doenças cardíacas e câncer.

O Doutor William no livro relata que em todos os seus pacientes que removeram os produtos feitos com farinha de trigo tiveram uma perda de peso rápida e sem esforço, além de é claro, melhoraram a saúde, como por exemplo desaparecimento de cólicas, diarreias, sintomas de refluxo, reversão de diabetes.

Conforme o Doutor William relata em seu livro, foram documentados diversos problemas, conforme veremos a seguir:

1. GLUTEOMORFINA – EFEITOS DAS SUBSTÂNCIAS VICIANTES E DEPENDENCIA

No cérebro, os efeitos do trigo estão associados aos mesmos efeitos das drogas opiáceas, que são derivadas de um grupo de substâncias extraídas da papoula (Papaver somniferum), como por exemplo a heroína e a morfina. Por esta razão em algumas pessoas desenvolve uma dependência ao consumo de trigo, tornando para alguns, uma tarefa difícil se livrar do trigo. Substâncias do grupo dos opiáceos possuem uma estrutura química capaz de se ligar aos receptores de neurotransmissores denominados endorfinas, que estão associados ao controle do prazer, bem-estar e relaxamento e dor. De acordo com o Doutor William, os polipeptídios do trigo ligam-se aos receptores de morfina, os mesmo receptores das quais se ligam as substâncias derivadas das drogas opiáceas.

Dentre os alimentos existentes, o trigo tem a capacidade de provocar prazer, alterando o comportamento e tem capacidade de gerar uma crise de abstinência quando eliminado da alimentação. Isso porque, quando digerido, o trigo libera substâncias semelhantes a morfina, que se ligam aos receptores opiáceos do cérebro, e isso gera um prazer, e por esta razão, é induzido um estímulo do consumo repetitivo do trigo, em outras palavras, ele age como um estimulante do apetite.

As pessoas que conseguirem eliminar o trigo da dieta perceberão que naturalmente tanto a fome quanto a compulsão de comer irão diminuir, e, desta forma, a ingestão de calorias irão diminuir também, e os quilinhos em excesso irão diminuir muito, praticamente sem esforço, melhorando assim o ânimo e bem-estar.

2. OBESIDADE E A RELAÇÃO COM O CONSUMO DE TRIGO

O Doutor William em seu livro conta: “Elimine o trigo e o peso corporal cairá rapidamente, sem esforço. A depender, entre 20 a 45 quilos de perda de peso ao longo de 1 ano, dependendo é claro do peso ao iniciar o processo. Dependendo da pessoa é possível eliminar até quase meio quilo por dia, apenas eliminando o trigo da alimentação.

O trigo é apresentado como a principal causa de obesidade e diabetes, mas não é apenas o trigo, o leite também, e será abordado em outro artigo.

Fuja dos pães ou alimentos integrais, quanto mais integral, mais glúten possui, ao contrário do que se pensa, pães integrais não tem nada de saudável. Apenas faz parte de uma campanha da indústria e de outras classes interessadas em justificar o uso de grãos na dieta atual, é muito comum, até mesmo por profissionais da área de saúde como médicos, e até mesmo nutricionistas em que devemos cortar gorduras e consumir mais grãos integrais. Isso é um outro gravíssimo erro, que será tratado mais detalhadamente em outro tema, eliminaram as gorduras, tanto boas quanto ruins, e aumentaram a ingestão de carboidratos, que é o fator principal para aumento de peso e acúmulo de gordura visceral, responsável por desencadeamento de processos inflamatórios, problemas metabólicos e hormonais que contribuirão para diabetes, hipertensão, doenças cardíacas níveis de insulina anormais.

Entenda que o acúmulo de gorduras, não é oriundo do consumo de gorduras boas, e sim de CARBOIDRATOS, as pessoas tem o conceito equivocado de achar que carboidrato é sinônimo de açúcar.  O carboidrato faz aumentar o nível de glicose no sangue, provocando elevação do nível de insulina, que é liberada pelo pâncreas quando ocorre aumento de glicose no sangue, quanto mais glicose, mais insulina tem que ser liberada pra passar a glicose pro interior das células. O diabetes desenvolve quando é ultrapassada a capacidade do pâncreas de produzir insulina em resposta ao aumento da quantidade de glicose no sangue.

É preciso tomar cuidado, porque mesmo indivíduos que não possuem diabetes podem estar sendo vítima das consequências dos altos níveis de glicose e de insulina resultantes do acúmulo de gordura visceral e daí propenso a todo tipo de problemas resultantes do processo de inflamação. Os tecidos hepáticos e musculares começam a reagir menos a insulina, o que denominamos de resistência insulínica, onde a produção de insulina tende a aumentar cada vez mais, aumentando a resistência à insulina e como consequência mais gordura visceral é acumulada. A gordura visceral produz estrogênio, o estrogênio é um hormônio não desejável, pois ele além de ser proliferativo, sendo associado com aparecimento de câncer de mama, próstata, etc, ele ainda está associado com o hipotireoidismo, razão pela qual o hipotireoidismo é mais comum em mulheres, pois elas possuem mais estrogênio que o homem.

 

Figura 1: A relação evolutiva do homem e a nutrição

A MENTIRA E PERSUASÃO DA INDÚSTRIA – CUIDADO COM ALIMENTOS “SEM GLÚTEN

Como já sabemos o glúten é a proteína do trigo, ela é responsável por apenas um dos vários problemas, conforme já vimos acima, existe ainda a amilopectina-A, que faz com que a glicose entre na corrente sanguínea de maneira muito rápida. E a indústria sabendo disso, produz os mesmos alimentos como pãezinhos , biscoitos, bolos, entre outras sobremesas, sem glúten, porém, usando farinha de arroz GLUTINOSO, amido de milho, fécula de batata, fécula de tapioca, etc. E, apesar de nenhum deles possuírem glúten, é um perigo para as PESSOAS QUE ESTÃO PRECISANDO EMAGRECER, uma vez que eles são carboidratos que irão aumentar os níveis de glicose no sangue e consequentemente farão aumentar a insulina, favorecendo o ganho de peso. O Doutor William vai ainda mais longe, e afirma dizendo que, os alimentos a base de amido de milho, amido de arroz, fécula de batata e fécula de tapioca estão entre os poucos que aumentam o nível de glicose no sangue ainda mais do que os produtos do trigo!

Por isso fique atento, alimentos “SEM GLÚTEN” não necessariamente são sinônimos de alimentos saudáveis ou livre de problemas. Inclusive, no próprio livro, o Doutor William relata que essa é uma das prováveis razões pela qual algumas pessoas não conseguem perder peso mesmo tendo eliminado o trigo/glúten da alimentação.

O problema da obesidade pelo trigo não está associado apenas a eliminar o glúten, mas também a amilopectina-A, que é esse carboidrato complexo que eleva os níveis de glicose no sangue, mais do que qualquer doce existente no planeta. Não existe benefício algum em trocar o glúten e a amilopectina-A do trigo pelos biscoitos e massas feitos com amido de arroz, amido de milho, fécula de batata e tapioca.

Portanto, se o objetivo é perder peso, fique longe do trigo e dos alimentos “sem-glúten”.

3. PROBLEMAS DE PELE E A RELAÇÃO COM O TRIGO – ACNES E ESPINHAS

Ao que parece, a causa das espinhas é a insulina, que estimula a liberação de um fator de crescimento chamado IGF-1. Os laticínios também influenciam a capacidade da insulina em provocar acnes, não pela gordura do leite, mas pelas proteínas do leite como por exemplo Caseina, Alfa-lactoglobulina, Beta-lactoglobulina, Bovino-gamaglobulina, Bovino-soroalbumina, Betacelulina, que estão associados também a desencadeamento de processos alérgicos como otites recorrentes, rinites, sinusites, entre outros. Iremos falar sobre o leite em detalhes em outra postagem.

A recomendação do Doutor William é que observemos os alimentos que tem a capacidade de aumentar as taxas de insulina no sangue afim de combater a acne, o trigo, por exemplo é um destes alimentos.

4. DOENÇAS CARDIOVASCULARES RESULTANTES DO CONSUMO DO TRIGO

A amilopectina-A é responsável pelo aumento da glicose e consequentemente elevação da insulina no sangue, essa glicose no sangue é convertida em triglicerídeos, ou seja, o vilão não está no consumo de gorduras saturadas BOAS, conforme já foi comentado, as pessoas se afastaram de todos os tipos de gordura, as ruins, e as boas. Fica evidente que não tem necessidade alguma de se fazer uso de estatinas para diminuir o colesterol, que, também é um engano, conforme já visto no tópico (O mito do colesterol). Os triglicerídeos sim, estes devem ser baixados ao máximo, mas isso é obtido diminuindo a ingestão de açúcar, de carboidratos.

Isso é fácil de entender, pois ao consumir carboidratos, os níveis de glicose no sangue aumentam, parte dessa glicose é utilizada para gerar energia, e outra parte, que não é utilizada é armazenada na forma de gordura, a esse processo chamamos de Lipogênese.

LIPOGÊNESE

Ocorre quando os níveis de glicose no sangue aumentam muito ou ultrapassa o seu limite máximo. O excesso disso é removido pelo fígado, e este, o armazena em seu interior sob a forma de glicogênio. Quando ingerimos muito carboidratos, aumentamos a glicose e, consequentemente aumentamos a concentração de glicogênio dentro do fígado e nos músculos.

Por sua vez, quando em excesso, o glicogênio é quebrado pelo fígado tendo seu excedente eliminado no sangue e, consequentemente, a concentração de ácidos graxos na corrente sanguínea será aumentada. O excesso de ácidos graxos no sangue é removido pela pele, e esta, o armazenará dentro de células conhecidas como adipócitos (células armazenadoras de gordura). Este armazenamento ocorrerá sob a forma de gordura.

Mais uma vez, as gorduras da dieta possuem uma contribuição muito pequena os para os riscos de problemas cardíacos, se comparado com os problemas causados pelos carboidratos. E se observarmos, em geral a dieta básica da grande maioria das pessoas está relacionada com a ingestão de carboidratos, de produtos feitos com trigo e farináceos.

5. ALTERAÇÃO DO PH – DIETA ÁCIDA DO TRIGO

Outra argumentação é de que o trigo e os demais cereais possuem um resultado metabólico de natureza mais acídica, e já sabemos dos problemas causados por uma dieta de natureza acídica. A acidificação está associado também a problemas como osteoartrites e dores nas articulações. Processos inflamatórios tem também uma relação juntamente com fenômenos de glicação, que é uma modificação das proteínas na corrente sanguínea e nos tecidos do corpo, incluindo articulações dos joelhos, quadris e mãos que vão ficar com inflamação, dor e artrite.

Entenda como o pH do sangue tem impacto na sua saúde no tópico (pH do sangue e a saúde).

6. ENVELHECIMENTO PRECOCE E A RELAÇÃO COM O TRIGO

Existe um conceito chamado de AGE (Advanced Glycation End Product), ou seja, (Produtos Finais de Glicação Avançada). Que causam problemas de endurecimento das artérias, favorecendo o surgimento da placa ateromatosa, que favorecerá o acúmulo de gordura nas artérias.

Embora alguns Produtos Finais de Glicação Avançada cheguem até nós através da alimentação, muitos deles são formados no nosso corpo, devido aos altos níveis de glicose no sangue. Em outras palavras, os altos níveis de glicose no sangue estão causando uma série de problemas, e o trigo de cada dia que a população vem consumindo, está causando também, essa elevação nos níveis de glicose no sangue.

Quanto mais glicose ou mais trigo, mais Produtos Finais de Glicação Avançada  são gerados, devido a amilopectina-A, que é aquele carboidrato complexo, que faz com que a glicose entre no sangue muito rapidamente, e consequentemente aumentando a insulina, e, a insulina é um hormônio que ENVELHECE muito rapidamente um indivíduo.

7. DIABETES E A RELAÇÃO COM O TRIGO

No que diz respeito ao diabetes, a parte principal do livro aborda o consumo do trigo como consequência na elevação da glicose no sangue, e as exorfinas (um estimulante dos receptores opioides no cérebro) presentes no trigo aumentam ainda mais o desejo de comer. O aumento do consumo do carboidrato, lembre-se da amilopectina-A, eleva a quantidade de insulina, que como consequência causa uma sobrecarga no pâncreas, além de causar o acúmulo de gordura corporal que é produzida pelo excesso de glicose, além dessa sobrecarga na produção de insulina, o pâncreas também sofre danos por fenômenos inflamatórios como a lesão oxidativa, a leptina, várias interleucinas e o fator de necrose tumoral, resultante do processo de inflamação desencadeado pela gordura visceral.

A partir da década de 80, surgiu uma teoria equivocada de que deveríamos eliminar gorduras da nossa alimentação. A indústria passou então a buscar oferecer produtos livres de gorduras, as pessoas então passaram a comer mais grãos integrais,  onde desencadeou um consumo do trigo ainda maior, e, como consequência disso, ganho de peso, obesidade, gordura visceral e diabetes passaram a existir como até então não se havia visto.

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Glúten, o veneno de cada dia
O mito do colesterol
O pH do sangue e a saúde

VISUALIZAÇÃO DO LIVRO BARRIGA DE TRIGO

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