Cuidado com os alimentos sem glúten

entenda como o modismo dos alimentos sem glúten está engordando a população

Há algum tempo vem tornando-se frequente a divulgação de alimentos sem glúten, sejam em propagandas, livros, supermercados com inúmeros produtos sem glúten nas suas prateleiras, restaurantes com menu sem glúten, sites, entre outros. De fato, o glúten é um problema real, porém, como já explicado antes, o glúten é apenas um dos problemas, existem três razões que fazem dos produtos derivados do trigo, e quando falamos em trigo, falamos também em seus derivados como centeio, cevada, etc. Além do glúten, temos também, açúcares de todas as formas, que é uma das principais causas para obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer, depressão entre outros problemas resultantes da má qualidade da alimentação do mundo moderno.

O trigo cria esse caminho de perturbações e desordens metabólicas através de diversos mecanismos, não é apenas o glúten. Se pararmos um pouco e observarmos a história e até mesmo fazer uma reflexão, um paralelo, de como eram a 60/70 anos atrás, veremos que o trigo, de certa forma caminha junto com a história das doenças crônicas e da obesidade em todo mundo. Cada pessoa, no ocidente pelo menos, consome em média 25 quilos de farinha de trigo por ano. Mas o problema não se resume à quantidade, mas nos componentes que fazem parte do trigo, e que, são os que levam ao ganho de peso, e a problemas de saúde.

O trigo que existe hoje, não é o mesmo que se comia há 60 anos atrás, o que temos de uns anos para cá deixou de ser um alimento, o trigo passou a ser um Produto, cientificamente desenvolvido nos últimos 50 anos, modificado geneticamente para aumento de produção, onde, só o glúten, teve um aumento de 400% em sua concentração por causa do processo de hibridização, mas não é somente isso, além da altíssima concentração do glúten, temos ainda um super amido, que é um carboidrato complexo chamado amilopectina-A, que é altamente engordativo, por conta do aumento dos níveis de glicose e picos de insulina no sangue, e além disso, contém elementos extremamente viciantes, com efeitos encontrados em drogas opiáceas como morfina e heroína.

Este trigo moderno modificado, até se parece com o trigo, mas é extremamente diferente, veremos a seguir o que este trigo contém e como ele nos leva a desenvolver problemas como obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer, demência e muito mais. Os três elementos ocultos do trigo são:

1. Amilopectina-A um carboidrato complexo, que é um extremo fator engordativo.
2. Glúten, que teve aumento de 400% concentração pela manipulação genética, e é um grande desencadeador de processos inflamatórios.
3. Gluteomorfina, uma substância extremamente viciante, o que torna difícil para algumas pessoas abandonarem o pão ou produtos a base de trigo, causa uma dependência.

1. A AMILOPECTINA-A (O CARBOIDRATO COMPLEXO, O SUPER AMIDO)

O trigo que comemos hoje é um trigo anão, um produto de manipulação genética e hibridização que criou plantas de trigo curtas e grossas, resistentes, de alto rendimento, com quantidades muito mais elevadas de amido e glúten e muito mais cromossomas codificados para vários tipos de novas proteínas estranhas. O cientista que desenvolveu esse trigo moderno chama-se Norman Borlaug, cientista da área de agricultura norte-americana, que chegou inclusive a ganhar o prêmio Nobel, segundo ele, esse trigo moderno prometia alimentar milhões de famintos em todo o mundo. De fato, esse trigo alimentou e continua alimentando, contudo, produziu também milhares de pessoas gordas e doentes em todo mundo.
A primeira grande diferença deste trigo anão é que ele contém níveis muito elevados de um carboidrato complexo, um super amido chamado amilopectina-A. É desta forma que se obtém os pães grandes e fofos.

Aqui vem o lado negativo, duas fatias de pão de trigo integral hoje, elevam os níveis de glicose no sangue mais do que duas colheres de sopa de açúcar de mesa. Isso consta inclusive no livro Barriga de Trigo, do Cardiologista americano, Doutor William Davis.

Observe atentamente que, não existe diferença alguma entre farinha integral e farinha branca. A maior fraude perpetrada sobre o público desavisado é a inclusão de "grãos inteiros" em muitos alimentos processados, cheios de açúcar e trigo, dando à comida um brilho virtuoso. A melhor maneira de evitar os alimentos que são ruins para você é ficar longe de alimentos com alegações de saúde nos rótulos. Eles geralmente estão escondendo algo ruim.

Em pessoas com diabetes, tanto o pão branco quanto o integral aumentam os níveis de açúcar no sangue 70-120 mg / dl em relação aos níveis iniciais. Nós sabemos que os alimentos com alto índice glicêmico fazem as pessoas armazenar gordura na barriga, disparam focos ocultos de inflamação no corpo e tornam o fígado gordo, levando à cascata inteira de obesidade, diabetes e pré-diabetes. Este problema já afeta metade dos americanos e é o principal motor de quase todas as doenças crônicas e a causa da maioria dos nossos custos dos cuidados de saúde.

2. GLÚTEN EM ALTA CONCENTRAÇÃO

Esse trigo não contém apenas o super amido, a amilopectina-A, mas também contém uma concentração altíssima de glúten que é muito mais passível de criar inflamação no corpo. E em adição a uma série de doenças inflamatórias e crónicas causadas pelo glúten, ele causa obesidade e diabetes.

O glúten é aquela proteína pegajosa do trigo que mantém e faz crescer a massa do pão. O trigo antigo, com catorze cromossomas contendo códigos de um pequeno número de proteínas do glúten, e os produtos dele resultantes eram menos susceptíveis de provocar a doença celíaca e inflamação. O trigo anão novo, moderno contém 28, ou seja, duas vezes mais cromossomos e produz uma grande variedade de proteínas de glúten, incluindo as que têm mais probabilidade de causar doença celíaca. Pare e pense, doença celíaca, glúten isso não existia a mais de 50 anos atrás. São problemas do mundo “moderno”.

Como o glúten contribui para tornar pessoas mais gordas e doentes:

O glúten pode desencadear a obesidade, inflamação e doença crônica de cinco maneiras principais.

I. Doença celíaca é uma doença autoimune que desencadeia uma ampla inflamação no corpo, provocando a resistência à insulina, o que leva ao ganho de peso e diabetes, bem como mais de 55 condições, incluindo doenças autoimunes, intestino irritável, refluxo, câncer, depressão, osteoporose e outros.

II. Reações de inflamação de baixo nível ao glúten provocam os mesmos problemas, mesmo se você não tem doença celíaca, mas só tem anticorpos elevados (sete por cento da população, ou 21 milhões de americanos).

III. Existe também uma nova e notável pesquisa demonstrando que as reações imunológicas adversas ao glúten podem ser resultado de problemas em partes muito diferentes do sistema imunológico, não sendo necessariamente aquelas envolvidas na doença celíaca. A maioria dos médicos descarta sensibilidade ao glúten, se você não tem um diagnóstico de doença celíaca, mas esta nova pesquisa mostra que eles estão errados. A doença celíaca ocorre quando o corpo cria anticorpos contra o trigo (imunidade adaptativa), mas um outro tipo de sensibilidade ao glúten resulta de um sistema imunológico ativado de forma generalizada (imunidade inata). Isto significa que as pessoas podem ser sensíveis ao glúten, sem ter a doença celíaca ou anticorpos ao glúten e ainda ter a inflamação e muitos outros sintomas.

IV. Uma não-glúten glicoproteína ou lectina (combinação de açúcar e proteína), no trigo chamada germe de trigo aglutinina (WGA) [1] encontrada em concentrações mais elevadas no trigo integral aumenta a inflamação no corpo inteiro também. Esta não é uma reação autoimune, mas pode ser tão perigoso quanto uma e causar ataques cardíacos.

V. Comer muitos alimentos sem glúten (o que eu chamo de alimentos sem glúten “porcaria”) como biscoitos, bolos e alimentos processados sem glúten. Alimentos processados têm uma alta carga glicêmica. O fato de ser livre de glúten, não significa que o alimento seja saudável. Bolos e biscoitos sem glúten são ainda bolos e biscoitos! Legumes, frutas, feijão, nozes e sementes entre outros, também são todos sem glúten, prefira estes.

O glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio, espelta e aveia*, pode causar doença celíaca, o que desencadeia uma inflamação grave em todo o corpo e tem sido associada a doenças autoimunes, distúrbios do humor, autismo, esquizofrenia, demência, distúrbios digestivos, deficiências nutricionais, diabetes, câncer e mais.

Glúten e a inflamação do intestino

Outra maneira onde o glúten causa processos inflamatórios é através de uma reação autoimune de baixo grau ao glúten. O sistema imunológico cria anticorpos de baixo nível ao glúten, mas não cria a doença celíaca. Na verdade, 7% da população de 21 milhões, tem estes anticorpos anti-gliadina. Estes anticorpos também foram encontrados em 18% das pessoas com autismo e 20 por cento de pessoas com esquizofrenia.

Um grande estudo realizado pelo JAMA - Journal of American Medical Association, relatou que a sensibilidade ao glúten oculto (anticorpos elevados sem doença celíaca) foi ligada a um aumento do risco de morte na ordem de 35% a 75% por cento, principalmente por causar doenças cardíacas e câncer. Apenas por este mecanismo, mais de 20 milhões de americanos estão em risco de ataque cardíaco, obesidade, câncer e morte. Mecanismo de como o glúten desencadeia processos inflamatórios, doença cardíaca, diabetes, obesidade e câncer
A maior parte do aumento do risco ocorre quando o glúten desencadeia a inflamação que se espalha por todo o corpo, é uma inflamação crônica, oculta, sem sintoma. Ele danifica o revestimento do intestino. Em seguida, todos os micróbios e partículas de alimentos parcialmente digeridos no interior do seu intestino atravessam a barreira intestinal e são expostos ao seu sistema imunológico, 60% do qual situa-se sob a superfície de uma camada de células de espessura das células que revestem o intestino ou intestino delgado.

Dr. Alessio Fasano, um perito celíaco da Universidade de Maryland School of Medicine, descobriu uma proteína produzida no intestino chamado zonulina que é aumentada pela exposição ao glúten. A Zonulina quebra as junções espessas entre as células intestinais que normalmente protegem o sistema imunológico de micróbios e proteínas alimentícias estranhas que vazam através da barreira intestinal. Se você tem um "intestino solto", você terá a inflamação por todo o corpo e toda uma lista de sintomas e doenças.

3. GLUTEOMORFINA A DROGA

O trigo não contém apenas um carboidrato complexo responsável por elevações altíssimas dos níveis de glicose no sangue, não possui apenas altíssima concentração de glúten, além disso, ele ainda contém uma super droga que lhe causa dependência e desejo compulsivo de comer.

Quando processadas por sua digestão, as proteínas do trigo são convertidas em proteínas menores, "polipéptidos", chamado "exorfinas". Eles são como as endorfinas que você recebe depois de uma corrida e se ligam aos receptores opioides no cérebro, fazendo-lhe “alto”, e viciado como um viciado em heroína. Estes polipeptídios de trigo são absorvidos pela corrente sanguínea e passam direto através da barreira hematoencefálica. Eles são chamados de "gluteomorfinas".

Esta droga é responsável por causar o vício alimentar, incluindo os desejos e a compulsão. Ninguém tem compulsão por comer brócolis, mas tem compulsão para comer bolos, biscoitos, pães.
Ainda mais alarmante é o fato de que você pode bloquear esses desejos de comida e vícios alimentares e reduzir a ingestão de calorias, dando a mesma droga que usamos em sala de emergência para bloquear a heroína ou morfina em uma overdose, chamado naloxona. Comedores compulsivos comem quase 30 por cento menos quando este remédio é administrado.

Qual é a razão do aumento das doenças de glúten nos últimos 50 anos?

O trigo anão que cresceu no país mudou a qualidade e o tipo de proteínas do glúten de trigo, criando uma concentração muito maior de glúten e muito mais proteínas do glúten que causam doença celíaca e anticorpos autoimunes. Somado a isso, com o dano que nossos intestinos sofreram com nossa dieta, meio ambiente, estilo de vida e uso de medicamentos, e você tem a fórmula ideal para a intolerância ao glúten.

Danos ao trato gastrointestinal por excesso de uso de antibióticos, anti-inflamatórios, como Advil ou Aleve e drogas ácido-bloqueadoras como Prilosec ou Nexium, combinados com a dieta pobre em fibras, e com elevado teor de açúcar, conduzem ao desenvolvimento de doença celíaca e intolerância ao glúten ou a sensibilidade e a inflamação resultante.

Por esta razão, a eliminação de glúten e alimentos alérgenos ou sensibilizantes pode ser uma maneira poderosa para prevenir e reverter diabesidade (diabetes + obesidade) e muitas outras doenças crônicas.

Para piorar essa situação, estes inúmeros problemas não são causados apenas pela ingestão de produtos industrializados, mas também estes produtos derivados do trigo se encontram escondidos em quase tudo, desde sopas a vodka, batom por exemplo.

Tópicos relacionados

Glúten, o veneno de cada dia
Trigo e a obesidade

Referências

Saja K, Chatterjee U, Chatterjee BP, Sudhakaran PR. "Activation dependent expression of MMPs in peripheral blood mononuclear cells involves protein kinase." A. Mol Cell Biochem. 2007 Feb;296(1-2):185-92

Dalla Pellegrina C, Perbellini O, Scupoli MT, Tomelleri C, Zanetti C, Zoccatelli G, Fusi M, Peruffo A, Rizzi C, Chignola R. "Effects of wheat germ agglutinin on human gastrointestinal epithelium: insights from an experimental model of immune/epithelial cell interaction." Toxicol Appl Pharmacol. 2009 Jun 1;237(2):146-53.

Rubio-Tapia A, Kyle RA, Kaplan EL, Johnson DR, Page W, Erdtmann F, Brantner TL, Kim WR, Phelps TK, Lahr BD, Zinsmeister AR, Melton LJ 3rd, Murray JA. "Increased prevalence and mortality in undiagnosed celiac disease." Gastroenterology. 2009 Jul;137(1):88-93

Ludvigsson JF, Montgomery SM, Ekbom A, Brandt L, Granath F. "Small-intestinal histopathology and mortality risk in celiac disease." JAMA. 2009 Sep 16;302(11):1171-8.

Fasano A. "Physiological, pathological, and therapeutic implications of zonulin-mediated intestinal barrier modulation: living life on the edge of the wall." Am J Pathol. 2008 Nov;173(5):1243-52.