Exames Laboratoriais

A interpretação dos exames laboratoriais é um assunto muito sério, e infelizmente mal compreendido na medicina clássica, na prática muito mal utilizado e avaliado. A avaliação dos exames na medicina clássica, não avalia as informações do ponto de vista clínico/médico, ela se baseia no ponto de vista estatístico.

Para ser ter uma idéia, través do Leucograma é possível determinar com que velocidade um paciente está envelhecendo, ou se um paciente está com um quadro em que está caminhando para um diabetes, entre outros. Iremos mostrar apenas algumas das inúmeras informações que consta nos resultados dos exames e que na grande maioria das vezes sequer é avaliado. , e o grande erro da "normalidade" dos exames, que é uma normalidade estatística e não médica, causando assim muitos problemas ao paciente e impedindo que seja realizado uma otimização da saúde do paciente bem como um diagnóstico precoce de algum problema que venha a se manifestar futuramente.

Vamos conhecer na prática o que é a "normalidade" dos exames laboratoriais, aprenderemos como avaliar corretamente os exames utilizando como parâmetro critérios médicos (medicina funcional) com a utilização de QUARTIL, falaremos um pouco sobre os erros nas interpretações do colesterol total, HDL colesterol, LDL colesterol (que nem é medido, é sim calculado), Triglicerides e iremos comparar três resultados de exames (RDW, Vitamina D e Ferritina) utilizando os critérios de "normalidade" do laboratório e utilizando o critério do ponto de vista médico, e perceberemos que a grande maioria dos exames estão longe de serem "normais".

CONHECENDO A NORMALIDADE DOS EXAMES LABORATORIAIS

A palavra normal nos exames laboratoriais na verdade é um termo estatístico, que não tem absolutamente nada a ver com a medicina funcional. Esse “normal” significa por exemplo, se medirmos a Ferritina da população de Porto Alegre o “normal” é a média, com dois desvios padrão para cada lado. Ou seja, é uma terminologia estatística e não médica, e esse detalhe faz toda a diferença na interpretação dos resultados dos exames laboratoriais.

Para todas as imagens abaixo, clique para ampliar.


Note que no centro está a média, e em vermelho nos temos o primeiro desvio padrão para cada lado, englobando 65,4% e em verde temos o segundo desvio padrão para cada lado, englobando 95,4%. A isso chamam de “normal”, que é uma normalidade estatística e não médica.

Você já percebeu que na maioria das vezes, os resultados dos exames são sempre normais? Mas a pessoa está quase sempre doente? Ou sem disposição, ou com fadiga, ou com imunidade baixa, etc. Quantas pessoas fazem um check-up, os exames diz que está tudo "normal" e morre de parada cardíaca duas semanas depois? Que “normal” é esse? A má interpretação não foi capaz de detectar um problema, e é esse o objetivo do exame, mas que na maioria não são nem analisados e aqui aprenderemos como analisar corretamente de modo a prevenir e otimizar a saúde.

 

VAMOS PARA PRÁTICA 

Vamos antes conhecer algumas das inúmeras informaões extremamente importântes que estão presentes em seu Hemograma, Leucograma e Lipidograma e nem nos damos conta. Com algumas das pequenas informações presentes poderemos avaliar se estamos indo de encontro para um diabetes (apesar da glicemia estar "normal"), se existe risco de morte num período de 12 anos (embora os resultados estejam "normais"), se a microbióta intestinal está comprometida com processo de DISBIOSE, se possuimos hiperpermeabilidade intestinal, que é um fator desencadeador de doenças autoimunes, etc.

HEMOGRAMA (RDWRed Cell Distribute Width)

Na parte do eritrograma, por exemplo, ele pode fornecer uma gama de informações importantíssimas. Através do heritrograma pode-se avaliar inclusive se o paciente está hemodiluído ou hemoconcentrado, e isso tem impacto na otimização das enzimas, pode-se também, determinar o percentual do risco de mortalidade do paciente, conforme mostraremos adiante, e muito mais.

O RDW é um biomarcador importantíssimo que provavelmente você nunca soube para que serve, esse tipo de informação vem sempre no hemograma do paciente e provavelmente nunca foi olhado, e, através dessa informação pode-se saber o quanto este paciente vai viver. Inclusive existe um trabalho científico demonstrando isso, conforme veremos na seção RDW vs Mortalidade.

Analogamente falando, imaginemos uma fábrica que produz tampinhas para um determinado tipo de garrafas, é de se esperar que todas as tampinha sejam produzidas com o mesmo tamanho, 

caso contrário teríamos um problema no controle de qualidade concorda? Agora vamos examinar nossa medula, é lá que são fabricados nossas hemácias, e elas também possuem um tamanho padrão, quando ocorre uma variação no tamanho da célula, a isso se denomina de ANISOCITOSE.

O grau de anisocitose significa que alguma coisa não está funcionando bem no corpo, indicando que a medula não está conseguindo produzir as hemácias no mesmo tamanho.

Anisocitose, é variação do volume das hemácias ao redor da média (VCM), se existe uma variação, consequentemente existe uma anisocitose alta. VCM significa Volume Corpuscular Médio, que faz parte dos índices hematimétricos que são quatro e que não iremos entrar em cada um deles, vamos focar no RDW. Veja quais são estes índices

- Volume Corpuscular Médio (VCM)
- Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)
- Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)
- Red Cell Distribute Width (RDW)

LEUCOGRAMA

É importante saber que o leucograma ele é individual, e não pode ser comparado com o leucograma de outro paciente, você só pode comparar o leucograma com o seu leucograma, e existem informações nele que deperminam a valocidade com a qual o paciente está envelhecendo, se muito rápido, mais lento. No Leucograna não se pode utilizar o conceito de quartil, que será ensinado, no leucograma o ideal é estar estar no meio.

O número de leucócitos por exemplo pode variar apenas entre 4000 e 6500 /mm3(esse é o ideal do ponto de vista médico, do ponto de vista das referências do laboratório pode chegar até a 11000 /mm3)

Neutrófilos acima de 7000 é indício de que existe uma inflamação crônica e o paciente nem sabe, pois é uma inflamação silenciosa, no sangue, que pode ser medido pela PCR (Proteína C Reativa). Pacientes com leucócitos acima de 6500 /mm3 ocorrem o que é conhecido como leucocitote causada por inflamação aguda ou crônica ou  infecção viral ou bacteriana.

Eosinófilos por exemplo nunca deve passar de 500, acima disso pode estar ocorrendo uma parasitose ou algum tipo de alergia. Por exemplo, se o paciente possui valores absolutos de eosinófilos acima de 650/mm3 caracteriza que o paciente possui DISBIOSE e possui uma hiperpermeabilidade intestinal ou alguma reação alérgica. Se estes valores estiverem acima de 1000/mm3 ó paciente possui algum tipo de parasita ou verme.

Envelhecimento celular (Neutrófilos/Linfócitos = Velocidade de envelhecimento)

Se dividirmos a quantidade de neutrófilos pela quantidade de linfócitos o paciente pode ter uma ideia se está envelhecendo mais rapidamente ou mais lentamente. Para isso basta comparar com exames anteriores.

Veja na tabela os valores ideais para serem tomados como referência

LIPIDOGRAMA

O lipidograma é outro tipo de exame que é mal avaliado. O primeiro ponto que pouca gente sabe é que, o LDL não é um colesterol ruim. Existem onze tipos de LDL, dos quais nove deles são benéficos ou neutros, apenas dois deles são prejudiciais. Além disso, tem a falsa ideia de que o colesterol é prejudicial, o que não é verdade. Hormônio tireoidiano ativa os receptores de ldl, baixando o colesterol sanguíneo. O colesterol é um biomarcador, que serve para informar que algo no corpo não está funcionando bem. O mesmo julgamento errado é feito com ozônio. Muitas vezes ouvimos na TV que a poluição aumentou e que os níveis de ozônio estão alto. A pessoa que não entende de ozônio, ouve e acha que ozônio é poluente, e na verdade não é. O ozônio é na verdade aumenta para combater a poluição, como poluição não tem como ser medida, a forma de determinar os níveis de poluição é medir os níveis de ozônio, quanto maior os níveis e ozônio, indica que mais poluição se tem.

HDL não pode passar de 70 (mulher) e 80 (homem). Pois ele fica disfuncional, que é chamado de Disfuncionalidade do ido colesterol. O LDL na maoioria das vezes nem é medido, ele é fornecido através de um cálculo que é do colesterol total, onde soma-se o valor do LDL + valor do HDL + Triglicerides /5, o que sobra, esse é o LDL. E para que esse cálculo do LDl seja válido, os triglicerides não pode ser maior que 350. Ai neste caso só realizando medição, que é muito mais caro, o que o plano cobre, na grande maioria das vezes é o LDL calculado.

Curiosidade: Em 2010 foi criado no Estados Unidos um método chamado Ion Analysis, onde foi descoberto que existem onze formas de LDL, grande, média, pequena e muito pequena. E somente as formas menores são prejudiciais.

LEMBRE-SE

DIETA GORDUROSA (gorduras boas) AUMENTA A FORMA BENIGNA DE LDL.
CARBOIDRATOS REFINADOS AUMENTAM A FORMA MALIGNA DE LDL

Então o importante mesmo, o que vale é a relação Triglicérides/HDL. Se essa relação estiver abaixo de 2.5, isso quer dizer que mesmo que o colesterol LDL esteja elevado, esse LDL é de partículas grandes, não densas. Caso esse valor esteja acima de 2.5, significa que se o LDL estiver elevado, esse LDL são de partículas pequenas e densas, ai sim, esse LDL causará problemas.

Através dessa relação pode-se determinar se um paciente possui resistência insulínica ou não, e, serve de parâmetro para determinar se este paciente virá a desenvolver diabetes ou não, caso nenhuma ação não seja tomada.

Se o resultado dos triglicerides / HDL for acima de 2.5 isso caracteriza que o paciente possui uma resistência insulínica (mesmo tendo uma glicemia "normal").

Não é necessário fazer uso de estatinas para baixar os triglicerides, isso pode ser feito utilizando Vitamina B3 na forma de hexanicotinato de inusitol, ou nicotinamida (as dosagens devem ser obtidas com o médico de confiança). Ou simplesmente diminuindo a ingestão de açúcar refinado.

 

Na seção ao lado Avaliação e Comparação dos Exames incluímos três exames mostrando as divergências dos resultados do laboratório quando comparado com parâmetros clínicos da medicina funcional. Observe para que possa entender e a partir de agora entender melhor que o "normal" de referência laboratórial na verdade não é sinônimo de bom.

Livro recomendado:

Clique para ler um pouco sobre o assunto
Avaliação laboratorial - Medicina Integrativa e Funcional