Refluxo

VOCÊ É AQUILO QUE DIGERE

Tem um ditado que diz: Você é aquilo que come, porém esse ditado não está inteiramente correto. Não adianta nos alimentarmos bem, suplementar bem se nossa digestão não for capaz de digerir os alimentos adequadamente. Então na verdade, o ditado deveria de ser: Você é aquilo que digere. Veremos resumidamente os impactos que isso tem não somente na saúde como também nas doenças. A ideia aqui é dar uma visão mais prática e menos técnica, afim de não tornar o texto muito extenso.

 

GERD – DOENÇA DO REFLUXO ESOFÁGICO

O GERD ocorre quando o ácido estomacal fica baixo por muito tempo. Sabe-se que a deficiência do ácido clorídrico (HCL) diminui muito com o passar dos anos, mas a idade não é apenas o único fator, pois existem muitos indivíduos jovens que possuem um polimorfismo genético (SNPs) que faz com estes problemas na produção do HCL ocorra.

DIAGNOSTICANDO CORRETAMENTE

Antes de sair usando antiácidos precipitadamente por conta própria ou até mesmo por uma má prescrição, observe se a azia ocorreu depois da ingestão da comida, do alimento. Se ocorreu após a ingestão é porque o que existe é uma deficiência de ácido clorídrico ou o estomago está com um pH acima de 2, o pH ideal do estomago é menos de 2.

Existem pessoas sentem azia mesmo sem ter ingerido alimento algum, e quando comem algo a azia melhora, nestes casos, ocorre exatamente o oposto, mas essa situação é muito pequena. A grande maioria se queixa de refluxos após a ingestão do alimento.

Se o problema ocorre após a ingestão da comida, não use antiácidos, pois estará se prejudicando ainda mais. Neste caso pode-se conforme será visto, tentar restabelecer o HCL estomacal.

REFLUXOS ESOFÁGICOS AUMENTAM COM A IDADE

Conforme mostra o gráfico (figura 1), a prevalência da doença do refluxo esofágico vai aumentando com a idade, ou seja, quanto maior a idade, maior propensão ao refluxo, devido a diminuição do ácido clorídrico no estômago. Mostrando assim, que REFLUXO não é excesso de ácido clorídrico * e sim DEFICIÊNCIA de ácido clorídrico. A partir dos 30/40 anos, a queda é abrupta, consequentemente, mais refluxo. Infelizmente a conduta da grande maioria dos profissionais de saúde que não entendem o mecanismo é receitar inibidores da bomba de prótons (OMEPRAZOL, ETC), diminuindo ainda mais aquilo que já está muito baixo. Consequência disso... MAIS DOENÇAS.

* Caso ocorra após a ingestão do alimento.


Livro Why Stomach Acid is Good For You, do Dr. Jonathan Wright (pai dos hormônios bio-idênticos).

A pergunta do Dr. Jonathan Wright é muito inteligente, e ele dirigia para a maioria dos médicos nos Estados Unidos que achavam que refluxos eram causados por excesso de ácido clorídrico. Observe a inteligente pergunta e reflita:

- Por que o excesso de ácido estomacal é tão eficiente em causar refluxo, mas ineficiente em digerir os alimentos?

Compreendeu? Ou seja, o ácido é corrosivo, como é que algo tão corrosivo em excesso é capaz de causar refluxos, mas, é ineficiente em digerir os alimentos??? Caiu a ficha? :)

PROBLEMAS DOS ANTIÁCIDOS E CONSEQUÊNCIAS DE DIMINUIÇÃO DA PRODUÇÃO DO HCL (ÁCIDO CLORÍDRICO)? E DO AUMENTO DO pH NO ESTOMAGO

A grande maioria das pessoas com intolerância alimentar, ou hipersensibilidade alimentar não são capazes de produzir adequadamente ácido estomacal por deficiência de IODO, com formação de bolhas de gases, causando refluxo esofágico.

Além dos antiácidos não tratarem as CAUSAS dos refluxos esofágicos eles causam os seguintes problemas:

- Aumento de alergias alimentares
- Problemas na digestão dos alimentos, má absorção dos nutrientes
- Problemas na absorção de minerais, aminoácidos e vitaminas
- Deficiência de zinco (absorção de zinco depende do ácido clorídrico)
- Aumento do agravamento a longo prazo do GERD (doença do refluxo esofágico)
- Quebra da barreira estomacal e consequentemente depressão do sistema imune (salmonela, pneumonia, úlceras, cólera...)
- Crescimento anormal de bactérias
- DISBIOSE Intestinal (comprometimento da microbiota)
- Não produz liberação de bile e de bicarbonato de sódio (importante para manter o pH do sangue)
- Perda da libido
- Depressão

Conforme visto na figura 2, o intestino é uma barreira e também faz parte da defesa imunológica, por sinal, 80% do sistema imune depende do intestino. Conforme poderá ser visto na figura 2. Podemos observar que o intestino tem a função de proteger tanto para agentes patogênicos que venham de cima quanto que venham de baixo. Caso ingerimos algum alimento estragado, ou contaminado se os ácidos estomacais forem fortes esses agentes morrem ali mesmo, pois bactérias não conseguem viver em pH menor que 2. Pessoas com úlcera, a úlcera é causada pela bactéria Helicobacter pylori. Ou seja, quem tem úlcera, tem pH estomacal alto (seta para baixo na figura 2).

Da mesma forma, bactérias como Escherichia coli, que vive no intestino, se ela sobe, ela precisa passar pelo intestino, e novamente, se tivermos uma boa produção de ácido clorídrico, ela morre, caso contrário, ela passa pelo intestino e sobe para os brônquios causando pneumonias (seta para cima figura 2). Geralmente pessoas que fazem uso de antiácidos cronicamente, possuem pneumonias recorrentes.

O ácido clorídrico contribui para ativação das enzimas digestivas, pepsinogênios só se convertem em pepsina sob a ação do ácido clorídrico. O ácido clorídrico é produzido pelas células parietais, que são as mesmas que produzem o fator intrínseco e a B12 depende do fator intrínseco e também ocorre deficiência de B9 (ácido fólico), pois a absorção da B9 depende da B12.

CUIDADOS QUANDO SUPLEMENTAR B12 E B9

Pessoas que por alguma razão necessitam suplementar B12 e B9 devem fazê-lo preferivelmente sublingual e na forma de (metil-cobalamina (B12), e metil-folato (B9) porque:

1. Cianocobalamina, que é o que geralmente é manipulado ou vendido, é uma B12 SINTÉTICA.

2. A B9 também é necessário verificar em sua farmácia de manipulação se é usado metil-folato, pois o ácido fólico é prejudicial, o ácido fólico precisa ser convertido em metil-folato e portanto, depende de enzimas e do ácido clorídrico.

3. Pode-se ainda solicitar manipular cobalamina, porém para a cobalamina se transformar em metil-cobalamina depende de uma enzima que vai diminuindo com a idade ou em pessoas que tem algum polimorfismo genético.
A melhor forma seria a opção sublingual, dosagem entre 100 a 500 MCG.

REFLUXO CRÔNICO SE TRANSFORMA EM CÂNCER

Os refluxos quando ocorrem constantemente, podem vir a desenvolver diversos problemas, como esofagites erosivas, e também forma o Esofago de barret, conforme mostrado na imagem (figura 3). Esofago de barret é pre-câncer, se não for tratado, a próxima etapa é se transformar em câncer de esôfago. Tudo isso ocorre por causa de deficiência de ácido clorídrico. Porque a válvula pilórica não abre, pois a válvula é pH dependente, e como o pH está acima de 2, a válvula pilórica (figura 4) não abre e o alimento (quimo) volta para o esôfago, como o pH do esôfago é maior que o pH do estômago (que é menor), irrita a mucosa.

Como a válvula pilorica não abre, o refluxo causa queimação, os antiacidos anestesiam o esôfago apenas, mas o problema continua.

Mais informações sobre esôfago de barret:
http://greaterorlandogi.com/services/barretts-esophagus

 

AVALIAÇÃO PRÁTICA - COMO VERIFICAR SEU ÁCIDO CLÓRIDRICO  ESTOMACAL

A avaliação para verificar se um indivíduo possui ou não deficiência de ácido clorídrico (hcl) estomacal é muito simples e pode ser realizado em casa mesmo.

Após acordar, ainda em JEJUM, misturar meia colher de café de bicarbonato de sódio em um copo com água e beber.
O bicarbonato de sódio vai se juntar com o ácido clorídrico do estomago e irá produzir gás carbônico. O gás irá produzir o arroto. HCL + NaHCO3 => CO2.

HCL – ácido clorídrico do estomago
NaHCO3 – bicarbonato de sódio
CO2 – gás carbônico

DETERMINANDO NORMALIDADE, DEFICIÊNCIA E EXCESSO DE ÁCIDO CLORÍDRICO.

Após ingerir o bicarbonato de sódio com a água, aguardar um intervalo de até 5 minutos e observar o seguinte:

ÁCIDO CLORÍDRICO NORMAL
Arroto em menos de 3 minutos, aproximadamente em torno de 2 a 3 minutos.

ÁCIDO CLORÍDRICO EM EXCESSO
Arrotos em menos de 2 minutos e repetidas vezes.

ÁCIDO CLORÍDRICO DEFICIENTE
Não ocorrera arroto em 5 minutos.

Alguém quer comentar os resultados, caso realizem o teste? Aposto que uma grande parte não vai arrotar (faleconosco@telomero.com.br )

OBS: Não realizar este teste caso a pessoa esteja fazendo uso de antiácidos. Por uma simples razão, eles diminuem a produção de ácido clorídrico, e não ocorrerão arrotos em 5 minutos de forma alguma. Fique atento, se o refluxo ocorre após a ingestão de alimentos, o problema é deficiência de ácido clorídrico, e hipocloridria, o antiácido só vai degradar a saúde.

BOA PRODUÇÃO DE ÁCIDO CLORÍDRICO MANTEM O pH DO SANGUE E ALCALINIZA OS TECIDOS

Muito se ouve falar em alimentos alcalinos, alcalinização do sangue que previne câncer, pois o câncer se desenvolve em meio ácido, etc.

Primeiro devemos saber que o sangue mantem seu pH entre 7,35 e 7,45. O sangue jamais irá ficar alcalino, se o pH subir acima de 8 ou cair abaixo de 6,6 a pessoa morre, é morte, isso é conhecido como distúrbios ácidos bases.

Toda vez que ingerimos qualquer alimento alcalino, o estomago produz ácido clorídrico para neutralizar essa alcalinidade, porque o estomago não pode ficar alcalino. Porém, o corpo não consegue produzir ácido clorídrico sem produzir junto bicarbonato de sódio no sangue, é IMPOSSÍVEL haver produção de ácido clorídrico sem produzir bicarbonato de sódio no sangue. O bicarbonato então alcaliniza o sangue, porém, o sangue precisa manter o seu pH entre 7,35 e 7,45. Como o sangue não pode ficar alcalino, ele transfere essa alcalinidade para os tecidos, que é onde realmente é necessário. Toda dieta alcalina é de fato uma aliado contra o câncer, não por alcalinizar o sangue, mas sim os tecidos do corpo.

E como a produção de ácido clorídrico diminui drasticamente com a idade, concomitantemente ocorre diminuição de bicarbonatos no sangue, e consequentemente os tecidos vão acidificando, porque como o sangue precisa manter aqueles níveis de pH, o sangue acaba retirando isso dos tecidos. Por isso a medida que se envelhece, vamos acidificando.

RESTABELECER A PRODUÇÃO DE ÁCIDO CLORÍDRICO

Deficiência de iodo interfere na produção do ácido clorídrico. Para estabelecermos a produção do ácido clorídrico devemos utilizar iodo (lugol), zinco quelado e vitamina B1.

Vitamina B1 (30 mg)
Zinco quelado (30 mg)
Lugol (2 gotas)

Mas caso a pessoa precise de imediato melhorar, pode fazer uso de cloridrato de betaína de 200 a 300 mg durante as refeições.