Tireoide

Na parte 1 falamos dos 4 fatores que estão associados com a síndrome metabólica, nesta segunda parte, será abordado o distúrbio da tireoide, e ainda:

- Porque os exames tradicionais não são eficazes e eficientes na detecção de um mal funcionamento da tireoide ou hipotireoidismo;

- Hipotireoidismo subclínico (Hipotireoidismo não diagnosticado);

Primeiramente falarei sobre o porquê dos exames tradicionais não servirem na maioria das vezes como um indicador de que a tireoide esteja trabalhando de forma adequada.

Tradicionalmente, os exames solicitados quando se deseja avaliar a tireoide são o TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide), T3 e T4 livre. Raramente se pede o T3 Reverso, que por sinal é muito importante.

OS EXAMES TSH, T3 e T4

O problema começa porque, primeiro, o TSH não é um hormônio da tireoide, o TSH é um hormônio da adeno-hipófise, então esse mecanismo de pegar um hormônio que não é da tireoide é complicado. Segundo, são avaliados o aumento ou diminuição do TSH, porém, é preciso ter em mente que a adeno-hipófise envelhece com o passar do tempo, e as vezes ela perde a capacidade de responder, ou seja, uma pessoa pode por exemplo estar com o T3 e T4 baixo, mas o seu TSH não estar subindo, pois como mecanismo de compensação o TSH deveria subir para avisar, isso é o que se conhece por Feedback negativo, quando um hormônio sobe o outro baixa e vice-versa, quando isso ocorre, pelo fenômeno de homeostase corporal, isso é chamado de Feedback negativo.

Para quem faz suplementação de iodo, na forma de lugol, e isso será abordado na sequência, pois é um assunto muito importante e mal compreendido, iremos perceber que o TSH vai aumentar, mas, neste caso, não por um problema da tireoide, e sim pela desobstrução do NIS (Simportador Sódio Potássio) e desintoxicação.

Mesmo uma pessoa tendo os seus hormônios T3 e T4 normais, ainda assim, essa pessoa poderá ter um hipotireoidismo, que é o que se conhece por hipotireoidismo tipo 2, que é quando o problema não está acontecendo na tireoide, e sim, fora dela, pela impossibilidade da conversão de um hormônio no outro.

A tireoide produz 5 hormônios, que são T1, T2, T3, T4 e calcitonina (que tem a ver com normalização do cálcio, quando este está elevado e não tem a ver com assunto em questão). O T1 e o T2 ainda não se sabe qual sua função. O Hormônio verdadeiro da tireoide é o T3 (triiodotironina), o T4 (tiroxina) não é um hormônio, não existe no corpo humano receptores para T4, o T4 precisa ser convertido em T3, principalmente no fígado, rins e no intestino. Porém existem inúmeros fatores que impedem que haja essa conversão, como por exemplo mulheres que fazem uso de anticoncepcional, indivíduos que fazem uso de betabloqueadores, pessoas que fazem uso de estatinas, pessoas com o cortisol muito elevado ou muito baixo por uma fadiga adrenal, entre outras, prejudicam a conversão do T4 em T3.

HIPOTIREOIDISMO TIPO 2

Conforme vimos acima, mesmo a tireoide produzindo os hormônios e pro-hormônios normalmente, contudo o T4 não se convertendo em T3, o problema já não é mais um problema primário da tireoide, é o que é conhecido como hipotireoidismo tipo 2. Analogamente, da mesma forma que se tem o diabetes tipo 2, onde ao se medir a insulina ela se encontra até aumentada, pois o diabetes tipo 2 é causado por uma resistência insulínica a nível de receptor, o T4 pode não ser convertido em T3, e, mesmo que ele seja convertido, ele tem agora problemas de receptor, para entender melhor vejamos um exemplo, que ocorre frequentemente em mulheres.

Uma mulher que tem um fluxo menstrual muito grande por mais de 4 dias, a quantidade de sangue que ela perde é muito grande, e com essa perda de sangue, ocorre uma diminuição do ferro. Uma forma de verificar de forma eficaz o ferro, é através da ferritina, facilmente solicitados em exames. Então essa mulher acaba tendo a Ferritina abaixo de 70 ng/ml.

E, quando a Ferritina está baixa o T3 não consegue atuar a nível de receptor. Para se ter ideia da importância do T3, todas as células do corpo possuem receptores para T3, que é a triiodotironina, mas, necessita da presença do ferro, se a Ferritina estiver abaixo de 70 ng/ml, que é o exemplo dado aqui, essa pessoa vai ter um hipotireoidismo tipo 2. Claro, no caso da ferritina baixa isso também ocorre nos homens, mas por deficiências nutricionais.

Se observarmos bem, o hipotireoidismo tipo 2 é muito mais comum do que o hipotireoidismo primário da tireoide, pois são dioxinas que interferem, xenobióticos, ar contaminado, água contaminada, e isso contamina os receptores, também chamado de disruptores endócrinos, que prejudicam o hormônio T3 atuar a nível de DNA.

HIPOTIREOIDISMO POR DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL

Se pegarmos os hormônios/pro-hormônios produzidos pela tireoide T1, T2, T3 e T4, eles são formados em sua estrutura por 2 moléculas de tirosina (aminoácido) e moléculas de iodo, se houver 1 molécula de iodo é T1, se houver 2 moléculas de iodo é T2, se houver 3 moléculas de iodo é T3 e se houver 4 moléculas de iodo é T4.

E, caso uma pessoa possua deficiência de tirosina, que é algo de certa forma comum, caso a pessoa não tenha uma nutrição proteica adequada, esta pessoa também não consegue produzir hormônio tireoidiano. A tireoide pode até estar saudável, boa, mas ela carece de matéria prima para produzir seus hormônios. Se a pessoa possuir tirosina, mas não possuir iodo, mais um problema na produção dos hormônios tireoidianos.

O departamento nacional de agricultura dos Estados Unidos, o NHANES (National Health And Nutrition Examination Survey) realiza entre cada 4 e 5 anos um levantamento de quais nutrientes os americanos estão ingerindo. O NHANES mostrou que houve uma diminuição de 50% do iodo na alimentação nos últimos 30 anos. As causas disso é fácil de ser entendida, o solo ficou pobre, não somente de iodo, mas também de zinco, selênio, magnésio entre outros. Os alimentos da terra necessitam retirar estas substâncias de algum lugar, e elas são retiradas do solo, só que, se um solo onde é plantado por mais de 10 anos, só retirando, se não for reposto ao solo estas substâncias, as verduras, frutas, não tem de onde retirar estas substâncias eles não produzem estas substâncias, e o agricultor repõe no solo apenas o fósforo, nitrogênio e potássio, que são os fertilizantes.

Quando se fala em iodo, geralmente se pensa que apenas a tireoide utiliza iodo, mas conforme veremos em outro tópico, na continuação veremos que o corpo possui aproximadamente 1500 mg de iodo, apenas 50 mg (3,3%) estão na tireoide, o esôfago, estomago, próstata, na mulher a mama, ovários, a pele (20%), músculos (30%), tecido adiposo (32%) todos estes precisam de iodo. Uma pessoa que pratica atividade esportiva, no suor, perde-se magnésio e iodo. E essa falta de iodo, além de contribuir para a falta na produção de hormônio tireoidiano, também produz cistos, sejam de mama, do ovário, próstata, tireoide etc. Ou seja, se uma pessoa não tem iodo suficiente essas pessoas começam a formar cistos, estes cistos vão virar nódulos e estes nódulos vão virar câncer. Em outras palavras, uma deficiência de iodo a longo prazo pode causar um câncer de mama, um câncer de próstata, um câncer de ovário.

Observação: Quando falamos em iodo, estamos nos referindo ao iodo inorgânico que não causa problema algum. O iodo prejudicial é o iodo orgânico, que inclusive está presente nas radiografias contrastadas, é por esta razão que evita-se realizar muitas radiografias desse tipo. Mas falaremos sobre iodo mais detalhadamente na sequência, para saber um pouco sobre o iodo, visite o link: http://www.telomero.com.br/secao/nutrigenetica/850/iodo

DICA PARA "AVALIAR" O FUNCIONAMENTO DA TIREOIDE DE FORMA SIMPLES

A tireoide tem como principal função cuidar do metabolismo basal, e esse metabolismo basal é refletido pela temperatura corporal. Ao acordar, antes de levantar-se, pegue um termômetro convencional (não o digital), ponha-o na axila e espere por 8 minutos, se a temperatura estiver abaixo de 36,6 graus celsius, tudo indica que a tireoide não está funcionando de forma adequada. Esse é o resultado de 40 anos de estudo pelo Dr Brother Burns.

As milhares de enzimas no nosso corpo, são pH e temperatura dependente, uma queda de 4 décimos de grau por exemplo, de 36,6 graus celsius para 36,2 graus celsius, pode ocasionar uma redução de até 40% da atividade enzimática, se a atividade enzimática não está funcionando bem problemas como os abaixo podem surgir:

- Queda de cabelo
- O raciocinio não é perfeito
- Tem-se uma tendência a engordar
- Constipação
- Capacidade de concentração prejudicada
- Pele seca

RESTABELECIMENTO DA TIREOIDE

Nos próximos tópicos também falaremos como podemos restabelecer a tireoide, a dieta ocidental constantemente está carregada de toxinas e agentes que prejudicam o funcionamento da tireoide, como por exemplo o flúor (nas pastas de dentes), cloro (na água), brometo (no fermento do pão), mercúrio (nos peixes contaminados pela água do mar). Estes agentes/substâncias acabam prejudicando o NIS (Simportador Sódio Potássio), uma das formas de restabelecermos a função da tireoide é através da desobstrução do NIS.

Importante

As informações contidas aqui tem caráter informativo, e não devem ser usadas para o diagnóstico ou para orientar o tratamento sem a opinião de um profissional de saúde. Procure sempre um médico de sua confiança e que, de preferência entenda de medicina preventiva, medicina ortomolecular, um nutrólogo ou um nutricionista. Apenas o médico está habilitado para diagnosticar eventuais doenças, indicar tratamentos e receitar, se necessário, medicamentos e minerais.